Aprenda a ler os rótulos dos alimentos

Os consumidores não têm sempre clara a informação dos rótulos nutricionais, nem como interpretá-las, por isso são muito importantes todas as ajudas ao respeito que possamos fazer chegar.


A rotulagem nutricional recolhido nos rótulos dos alimentos mostra dados importantes para os consumidores, em primeiro lugar, o valor calórico ou valor energético que fornece ao organismo o alimento, expresso em KJ (kilojoule) e em Kcal (quilocalorias), ou seja, as calorias (energia) que recebe nosso organismo ao ingerir um alimento.


Em segundo lugar, a composição de determinados grupos de nutrientes (gorduras totais e saturadas, hidratos de carbono e açúcares, proteínas e sal). “Tudo isso é importante para que nossa dieta seja o mais saudável possível e para que possamos evitar ou reduzir a probabilidade de aparecimento de doenças relacionadas com a alimentação, como a obesidade, ou a hipertensão, por exemplo”, explica José Larrea, secretário da Sociedade Espanhola de Segurança Alimentar (SESAL).


Segundo indica, os alimentos são compostos por diversos tipos de nutrientes, como os carboidratos, as gorduras, as proteínas, os minerais, ou água, entre outros. Por sua vez, dentro do grupo dos carboidratos, diz que seriam os amidos, açúcares e fibras. Anteriormente, aponta que a rotulagem nutricional se apresentava mostrando esses grupos, mas, na sequência da entrada em vigor do Regulamento 1169/2011, exige mais precisão, por exemplo, indicando não apenas os carboidratos, mas também os açúcares.


COMO SABER QUANDO UM ALIMENTO É MAIS SAUDÁVEL


Entre os alimentos que encontramos no mercado, Larrea salienta que há muita diversidade em relação às suas composições nutricionais, de maneira que existem alimentos mais saudáveis, e outros que não pelo seu conteúdo em gorduras, açúcares ou sal, por exemplo, e que devemos controlar (moderar) o seu consumo e não ultrapassar certas frequências.


A rotulagem nutricional nos dá esta informação, com a qual você pode ir fazendo uma dieta o mais saudável possível, ou conhecendo quais os alimentos que contêm certos nutrientes com os quais devemos ter cuidado e não excedernos no seu consumo”, ressalta o especialista em tecnologia de alimentos e sócio da consultoria de segurança alimentar ADESA.


Assim, explica que a rotulagem nutricional se expressa sempre por 100 gramas ou 100 mililitros, segundo seja um alimento sólido ou líquido. Além disso, precisa que existem vários dados que são obrigatórios: valor energético, quantidade de gordura, quantidade de ácidos graxos saturados, quantidade de hidratos de carbono, quantidade de açúcares, quantidade de proteínas e a quantidade de sal.


“O valor energético é um dado de calorias que contém um alimento, e obtém-se calculando as calorias que, por sua vez, traz cada um dos nutrientes presentes nos alimentos. Cada nutriente fornece uma determinada quantidade de calorias, e existem alguns valores de referência neste sentido: os carboidratos (exceto polióis), e as proteínas fornecem 4 Kcal por grama, as gorduras 9 Kcal/g, e a fibra alimentar 2 Kcal/g Sabendo, portanto, a quantidade de cada nutriente, podemos calcular o valor calórico de um alimento”, acrescenta.


A juízo do secretário de SESAL, este dado é importante, pois é uma medida da quantidade de energia que conseguimos ao consumir esse alimento. “Desta forma, podemos moderar o consumo de alimentos muito calóricos, de forma que a nossa dieta não é tanto de calorias, o que pode resultar em problemas de saúde, como o excesso de peso ou a obesidade”, acrescenta.


Além desta informação (obrigatória), diz que os embaladores podem fornecer outros dados, de forma voluntária, como por exemplo os ácidos graxos mono e poliinsaturados, fibras e algumas vitaminas e minerais, mas para isso devem estar presentes na lista constante do Anexo XIII do Regulamento 1169/2011 de Informação ao Consumidor.


Para poder interpretar essa informação nutricional, e que o consumidor possa compreender melhor os dados recolhidos nas etiquetas, há que ter em conta que houve confusão com os valores, ingestão, ou siglas, por exemplo, então para não enrolar mais o consumidor, o importante é ter em conta que há um valor de referência básico, que é a ingestão de referência”, explica o especialista.


De fato, concreta que este dado aparece recolhido de forma oficial no Regulamento 1169/2011 de Informação ao consumidor, onde aparecem as seguintes entradas de referência: valor calórico 2000 Kcal., gordura total 70 gr., ácidos gordos saturados 20 gr., hidratos de carbono 260 g., açúcares 90 gr., proteínas 50 gr., e sal 6 gr. “Essas são as quantidades que deve ingerir um consumidor médio diário. E com esse dado, os fabricantes indicam de forma voluntária e complementar os dados obrigatórios, o percentual dessa dose de referência que obtemos quando consumimos o alimento”, apostila.


A IMPORTÂNCIA DA CONSERVAÇÃO E VALIDADE


Nas etiquetas, Larrea destaca-se também que não apenas devemos ter em conta a informação nutricional, já que há mais dados importantes, como por exemplo, a forma de conservação, datas de validade ou de consumo preferencial, a relação de ingredientes, a forma de consumo, ou o peso, por exemplo.


“Dois dos dados mais importantes neste sentido são as condições de conservação e as datas de validade ou de consumo preferencial. O fabricante é o que melhor conhece esses dados, e é sua responsabilidade fazer chegar ao consumidor essa informação, para que possa ser tido em conta”, adverte.


Por sua vez, o secretário de SESAL indica que as condições de conservação indicam a temperatura a que devemos conservar um alimento. “Conservar entre 0 e 4 ° C, conservar a uma temperatura inferior a -18 ° C, conservar a temperatura superior a 65 ° C, ou conservar em lugar fresco e seco, são as lendas que podemos observar em qualquer alimento embalado. O fabricante deve determinar qual delas é a melhor para cada alimento, o que vai depender de critérios como a composição do alimento, o tratamento ao qual foi submetido, o pH, entre outros fatores”, acrescenta o secretário de SESAL.


É mais, salienta-se que as datas de validade ou de consumo preferencial indicam o período de tempo durante o qual podemos conservar um alimento. “Ambos os dados falam sobre o mesmo, mas não são exatamente iguais. A data de validade indica um dia a partir do qual o alimento já não seria adequado para o consumo. Enquanto isso, a data de consumo preferencial é usada normalmente para produtos de uma vida útil maior, ou que não são necessárias condições de conservação tão exigentes como os alimentos frescos, e expressa a data a partir da qual o alimento começa a perder suas qualidades organolépticas (sensoriais), mas sem ter porquê de afectar a segurança do produto. O fabricante indica-nos com isso que é melhor do que devemos consumir o alimento dentro dessa data“, explica o especialista em tecnologia de alimentos.